Tentava decidir se era ela quem não gostava do destino ou o destino que não gostava dela. Ou os dois. Odiava com todas as forças a ideia de que seus planos dependiam de alguma coisa que simplesmente estava fora de seu controle, e era essa "coisa" que ela agora tinha certeza que existia: o destino.
Largara tudo para recomeçar do zero. Estudou, estudou. Perdeu sábados e mais sábados de sua vida fazendo simulados, sextas-feiras assistindo aulas detestáveis de eletromagnetismo e química orgânica. E no fim, de nada adiantou, todo o esforço tinha sido completamente em vão. "Tudo por nada".
Há 6 dias sua vida havia se transformado no inferno. Não sentia fome, sono, tampouco vontade alguma de viver.
Talvez tenha conseguido fingir que estava tudo bem por uns 2, quase 3 dias - aliás, nem sabia que era tão capaz de encenar daquela forma. Mas a verdade era cruel demais para ser mascarada com um simples teatro. Até poderia enganar aos outros com um pouco de esforço, mas não a si mesma. E eis que sua muralha de autoproteção desabou. As lágrimas tinham o sabor amargo da derrota. O nó na garganta parecia sufocá-la. E a dor era absolutamente insuportável. À noite era ainda pior: por mais que sua vontade fosse dormir para sempre, o sono insistia em não vir.
Não sabia se algum dia aquilo tudo iria passar. Era certo que mais cedo ou mais tarde, o choro cessaria. Mas a dor e a culpa talvez nunca fossem embora. Sempre fora fácil perdoar os outros - na verdade não costumava demorar mais do que meia hora para conseguir fazê-lo -, no entanto, perdoar-se era uma missão quase impossível.
Creep
(Radiohead)
"What the hell am I doing here?
I don't belong here
I don't care if it hurts
I wanna have control
I wanna a perfect body
I wanna a perfect soul"
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