Pensava como a vida era hilária. Entrava ano, saia ano, e os sentimentos, os medos, as inseguranças pareciam inevitavelmente os mesmos. Até mesmo os protagonistas, muitas vezes teimava em insistir que fossem os mesmos de outros tempos, mas mal se dera conta de que eles simplesmente não podiam continuar a ser. Eles têm de brilhar em outros palcos, outras vidas... é a ordem natural das coisas: as pessoas devem permanecer o tempo suficiente para que se tornem especiais e “inesquecíveis” – e se se tornaram inesquecíveis é pq de fato já não fazem mais parte de nossas vidas, mas apenas de memórias, fotografias e, talvez, uns raros encontros que o tempo possa permitir em meio ao turbilhão da “vida moderna”.
Era hora de abrir as portas para que novas pessoas entrassem – e as velhas pudessem seguir novos caminhos. Mas não sabia se estava preparada para isto – talvez nunca estivesse, pensou com uma triste melancolia. Já dera um grande passo: desta vez, a porta de entrada já começava a se abrir. O drama era abrir a porta de saída: esta, ela tentara trancar a sete chaves...mas no fim, de nada adiantou pq as janelas sempre estiveram abertas.
Time - Dream Theater
"Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired,
It's good to warm my bones beside the fire
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells"
sábado, 16 de maio de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
Quando o álcool não entra e a verdade sai assim mesmo...
Clássicos do rock. As pessoas dançavam despreocupadamente. Aquele lugar já lhe era absolutamente familiar... com certeza nunca iria gostar do odor de cigarro, mas o resto era quase perfeito. Lembrou-se do primeiro dia que tinha ido lá. Tinha se divertido tanto! Sentiu saudades...sua vida era simplesmente menos complicada.
(...)
Voltando do seu flashback quase melodramático, um garoto se aproximou.
- Oi! Posso saber seu nome?
Não, ela não queria papo (e muito menos o que devia vir depois).
- Pq eu te diria meu nome? - escrevendo assim, ela podia soar até meio grossa...mas, acredite, não estava sendo. Tinha até um sorriso e uma cara de curiosidade pelo o que ele responderia.
- Pq nós estamos numa balada e podemos conhecer gente nova, fazer novas amizades... - enfim, nada de original. Mas ele era educado. - Eu posso te dizer o meu. "Y".
Tudo bem...não havia mal nenhum em lhe dizer seu nome.
- Prazer, Y, eu sou "X".
Viu sua amiga se afastar. Só teve tempo de lançar-lhe um olhar meio desesperado pedindo pra ficar. Necessário dizer que não funcionou?!
O que se seguiu foi uma série de perguntas corriqueiras naquele tipo de situação. Não muito tempo depois:
- Então, a gente podia curtir mais essa noite... - sinal vermelho. Já estava próximo demais.
- Eu não quero. - disse firme e decidida.
- Poxa...e pq ficar sozinha só com uma amiga na balada?!...
Respirou fundo. Não tinha a mínima idéia do pq iria dizer o que disse a seguir. Estava totalmente sóbria. É verdade, um pouco tonta, talvez...E ela sabia que aquela tontura não podia ser atribuída a dose insignificante de álcool que tomara, tampouco ao ambiente que, apesar de lotado, nunca havia lhe causado aquele mal estar antes. A verdade era só uma: os acontecimentos e sentimentos bizarros insistiam em lhe atordoar. Mesmo naquele lugar que gostava tanto.
- Ok, vamos ser sinceros. Eu não te conheço, não conheço seus amigos e provavelmente nunca mais vou te ver mesmo. Então, assim que eu te contar pq eu nao vou ficar com vc, vc pode rir da minha cara e ir lá contar pra eles. - A música era alta. E ele nem a ouvia direito. Melhor ainda, pensou. - Eu não quero mais um. Eu poderia até ficar com vc...vc é legal, simpático, bonito, educado. Mas e depois? Vc vai ser só mais um. E eu cansei. Não quero. Eu quero o cara.
- Hmm...e vc acha que vai encontrar o cara aqui?! - touché. Revirou os olhos. Era óbvio que não. Mas nem era isso que estava fazendo ali. Só queria dançar e se divertir...e, pq nao, tentar esquecer que sua vida era bizarra?
- Eu não disse que quero encontrar o cara aqui. Na verdade, talvez eu já tenha até encontrado o cara. Mas ele nunca vai me querer. - a lógica é: encarar os fatos de frente e "fechar pra balanço" até decidir o que fazer. Afinal, ainda não entendia pra quê tanta ironia (pra não dizer sacanagem) do destino...
- E pq alguém não iria querer vc? - Ok. Ele era até simpático. Mas a criatividade deixava a desejar. E ela já estava tão cansada do clichê e do óbvio...Mais uma vez respirou fundo. Pq dizer aquilo a um estranho?! Não fazia sentido - àlias, como tantas coisas em sua vida.
- Olha, faz o seguinte... vc é um cara legal e tem um monte de garotas bonitas na balada. Tenho certeza que quase qualquer outra garota nesta balada ficaria com vc. Vai lá e boa sorte. - ele ainda insistiu um pouco. Mas aquela altura, ela já nem ouvia mais o que ele dizia. Deu meia volta e foi encontrar seus amigos que até já riam da sua situação. Juntou-se a eles e tentou rir também; por dentro só queria gritar e sair correndo de si mesma. Já não tinha a menor idéia do que fazer.
"So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
[...]
What have we found?
The same old fears
Wish you were here "
(Pink Floyd - Wish you were here)
(...)
Voltando do seu flashback quase melodramático, um garoto se aproximou.
- Oi! Posso saber seu nome?
Não, ela não queria papo (e muito menos o que devia vir depois).
- Pq eu te diria meu nome? - escrevendo assim, ela podia soar até meio grossa...mas, acredite, não estava sendo. Tinha até um sorriso e uma cara de curiosidade pelo o que ele responderia.
- Pq nós estamos numa balada e podemos conhecer gente nova, fazer novas amizades... - enfim, nada de original. Mas ele era educado. - Eu posso te dizer o meu. "Y".
Tudo bem...não havia mal nenhum em lhe dizer seu nome.
- Prazer, Y, eu sou "X".
Viu sua amiga se afastar. Só teve tempo de lançar-lhe um olhar meio desesperado pedindo pra ficar. Necessário dizer que não funcionou?!
O que se seguiu foi uma série de perguntas corriqueiras naquele tipo de situação. Não muito tempo depois:
- Então, a gente podia curtir mais essa noite... - sinal vermelho. Já estava próximo demais.
- Eu não quero. - disse firme e decidida.
- Poxa...e pq ficar sozinha só com uma amiga na balada?!...
Respirou fundo. Não tinha a mínima idéia do pq iria dizer o que disse a seguir. Estava totalmente sóbria. É verdade, um pouco tonta, talvez...E ela sabia que aquela tontura não podia ser atribuída a dose insignificante de álcool que tomara, tampouco ao ambiente que, apesar de lotado, nunca havia lhe causado aquele mal estar antes. A verdade era só uma: os acontecimentos e sentimentos bizarros insistiam em lhe atordoar. Mesmo naquele lugar que gostava tanto.
- Ok, vamos ser sinceros. Eu não te conheço, não conheço seus amigos e provavelmente nunca mais vou te ver mesmo. Então, assim que eu te contar pq eu nao vou ficar com vc, vc pode rir da minha cara e ir lá contar pra eles. - A música era alta. E ele nem a ouvia direito. Melhor ainda, pensou. - Eu não quero mais um. Eu poderia até ficar com vc...vc é legal, simpático, bonito, educado. Mas e depois? Vc vai ser só mais um. E eu cansei. Não quero. Eu quero o cara.
- Hmm...e vc acha que vai encontrar o cara aqui?! - touché. Revirou os olhos. Era óbvio que não. Mas nem era isso que estava fazendo ali. Só queria dançar e se divertir...e, pq nao, tentar esquecer que sua vida era bizarra?
- Eu não disse que quero encontrar o cara aqui. Na verdade, talvez eu já tenha até encontrado o cara. Mas ele nunca vai me querer. - a lógica é: encarar os fatos de frente e "fechar pra balanço" até decidir o que fazer. Afinal, ainda não entendia pra quê tanta ironia (pra não dizer sacanagem) do destino...
- E pq alguém não iria querer vc? - Ok. Ele era até simpático. Mas a criatividade deixava a desejar. E ela já estava tão cansada do clichê e do óbvio...Mais uma vez respirou fundo. Pq dizer aquilo a um estranho?! Não fazia sentido - àlias, como tantas coisas em sua vida.
- Olha, faz o seguinte... vc é um cara legal e tem um monte de garotas bonitas na balada. Tenho certeza que quase qualquer outra garota nesta balada ficaria com vc. Vai lá e boa sorte. - ele ainda insistiu um pouco. Mas aquela altura, ela já nem ouvia mais o que ele dizia. Deu meia volta e foi encontrar seus amigos que até já riam da sua situação. Juntou-se a eles e tentou rir também; por dentro só queria gritar e sair correndo de si mesma. Já não tinha a menor idéia do que fazer.
"So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
[...]
What have we found?
The same old fears
Wish you were here "
(Pink Floyd - Wish you were here)
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Bem perto do paraíso...=)
"Semente, semente, semente, semente, semente
Se não mente fale a verdade, de que árvore você nasceu?
Semente, semente, semente, semente, semente
Se não mente fale a verdade, de que árvore você nasceu?"
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