Clássicos do rock. As pessoas dançavam despreocupadamente. Aquele lugar já lhe era absolutamente familiar... com certeza nunca iria gostar do odor de cigarro, mas o resto era quase perfeito. Lembrou-se do primeiro dia que tinha ido lá. Tinha se divertido tanto! Sentiu saudades...sua vida era simplesmente menos complicada.
(...)
Voltando do seu flashback quase melodramático, um garoto se aproximou.
- Oi! Posso saber seu nome?Não, ela não queria papo (e muito menos o que devia vir depois).
- Pq eu te diria meu nome? - escrevendo assim, ela podia soar até meio grossa...mas, acredite, não estava sendo. Tinha até um sorriso e uma cara de curiosidade pelo o que ele responderia.
-
Pq nós estamos numa balada e podemos conhecer gente nova, fazer novas amizades... - enfim, nada de original. Mas ele era educado. -
Eu posso te dizer o meu. "Y".Tudo bem...não havia mal nenhum em lhe dizer seu nome.
- Prazer, Y, eu sou "X".
Viu sua amiga se afastar. Só teve tempo de lançar-lhe um olhar meio desesperado pedindo pra ficar. Necessário dizer que não funcionou?!
O que se seguiu foi uma série de perguntas corriqueiras naquele tipo de situação. Não muito tempo depois:
-
Então, a gente podia curtir mais essa noite... - sinal vermelho. Já estava próximo demais.
- Eu não quero. - disse firme e decidida.
-
Poxa...e pq ficar sozinha só com uma amiga na balada?!...Respirou fundo. Não tinha a mínima idéia do pq iria dizer o que disse a seguir. Estava totalmente sóbria. É verdade, um pouco tonta, talvez...E ela sabia que aquela tontura não podia ser atribuída a dose insignificante de álcool que tomara, tampouco ao ambiente que, apesar de lotado, nunca havia lhe causado aquele mal estar antes. A verdade era só uma: os acontecimentos e sentimentos bizarros insistiam em lhe atordoar. Mesmo naquele lugar que gostava tanto.
- Ok, vamos ser sinceros. Eu não te conheço, não conheço seus amigos e provavelmente nunca mais vou te ver mesmo. Então, assim que eu te contar pq eu nao vou ficar com vc, vc pode rir da minha cara e ir lá contar pra eles. - A música era alta. E ele nem a ouvia direito. Melhor ainda, pensou. - Eu não quero mais um. Eu poderia até ficar com vc...vc é legal, simpático, bonito, educado. Mas e depois? Vc vai ser só mais um. E eu cansei. Não quero. Eu quero
o cara.-
Hmm...e vc acha que vai encontrar o cara aqui?! - touché. Revirou os olhos. Era óbvio que não. Mas nem era isso que estava fazendo ali. Só queria dançar e se divertir...e, pq nao, tentar esquecer que sua vida era bizarra?
- Eu não disse que quero encontrar o cara aqui. Na verdade, talvez eu já tenha até encontrado
o cara. Mas ele nunca vai me querer. - a lógica é: encarar os fatos de frente e "fechar pra balanço" até decidir o que fazer. Afinal, ainda não entendia pra quê tanta ironia (pra não dizer sacanagem) do destino...
-
E pq alguém não iria querer vc? - Ok. Ele era até simpático. Mas a criatividade deixava a desejar. E ela já estava tão cansada do clichê e do óbvio...Mais uma vez respirou fundo. Pq dizer aquilo a um estranho?! Não fazia sentido - àlias, como tantas coisas em sua vida.
- Olha, faz o seguinte... vc é um cara legal e tem um monte de garotas bonitas na balada. Tenho certeza que quase qualquer outra garota nesta balada ficaria com vc. Vai lá e boa sorte. - ele ainda insistiu um pouco. Mas aquela altura, ela já nem ouvia mais o que ele dizia. Deu meia volta e foi encontrar seus amigos que até já riam da sua situação. Juntou-se a eles e tentou rir também; por dentro só queria gritar e sair correndo de si mesma. Já não tinha a menor idéia do que fazer.
"So,So you think you can tellHeaven from Hell,Blue skies from painCan you tell a green fieldFrom a cold steel rail?A smile from a veil?Do you think you can tell?[...] What have we found?The same old fearsWish you were here " (Pink Floyd - Wish you were here)