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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Do fundo da gaveta!

A garota, melancólica, olhava para o céu azul um tanto acinzentado pela poluição.

Já não lia mais Capricho, tampouco Atrevida. Já não sonhava mais com um beijo, não pintava mais as unhas de azul e, muito menos, desejava cometer tal ato de loucura com seus cabelos. Quase nem ouvia mais new metal e nem vestia mais tantas roupas pretas. Não achava mais tão legal assim fazer pose de rebelde - rebelde, de verdade, nunca fora. Já nem precisava se preocupar com vestibular ou sonhar com o quão legal seria morar em outra cidade – simplesmente porque já o fizera.

Lembrou-se de um antigo namorado. Já fazia tanto tempo! Porque mesmo haviam acabado? Ah sim, ela o mandara embora – e ele, gentilmente, lhe obedecera. Tal como fizera com alguns outros garotos que passaram por sua vida, mas com uma diferença – não sabia o quanto se arrependeria mesmo tanto tempo depois. Não sabia que seu perfume, nem mesmo seu sorriso que a reconfortava fariam tanta falta. Não sabia que se arrependeria tanto de não ter dito tudo o que devia. E talvez nenhum dos dois realmente soubesse que o adeus era pra sempre...

Quase 2 anos. Fora este o tempo que tivera para voltar atrás, pedindo que ele voltasse. Mas seu orgulho derrotou sua felicidade. Tudo bem, não poderia dizer que fora completamente infeliz todo este tempo, nem que não se apaixonara – mas nunca foi como antes.

Agora, restava-lhe apenas uma certeza: poderia ter vivido muito mais intensamente. Deveria ter dado mais sorrisos, estudado um pouco menos, feito mais amigos e até mesmo ter beijado menos caras errados.

Deu-se conta do quanto estava diferente. Lia Carta Capital – algumas vezes, mal e mal entendendo o que estava escrito lá -, ouvia outras músicas, fazia faculdade – um curso que nem ela mesma saberia definir exatamente - e morava em outra cidade – esta, muito mais longe do que ela gostaria de sua cidade natal. Mas ainda era ela mesma. Alguns medos infantis, a velha timidez, alguns sonhos ousados e a eterna inquietação de estar no mundo. Se apaixonará novamente? Viajará para outros países? Se abrirá a novas oportunidades? Talvez. Há perguntas que só o tempo pode responder. Desta vez, só podia esperar que não o gastasse tanto antes de acertar as respostas.

p.s.: este texto aí estava meio que guardado no "fundo da gaveta" desde o começo do ano, mas eu nunca achei q realmente fosse publicá-lo. até q hj eu finalmente criei coragem!\o/

3 comentários:

Felipe disse...

Incrível o texto!! Não digo isso pra puxar seu saco, mas por achar que temos muito mais coisas em comum do que eu imaginava Cris!

O fato de mandar as pessoas embora achando que elas voltarão, e no final acabam não voltando. E é aquela coisa: você já fez isso, sabe que não é o certo, que no final você sofre, mas acaba fazendo de novo.

No mais, nem preciso falar dos seus temores e esperanças - de joseense e internacionalista - pois sei todos de cór e salteado!

Resta-nos apenas viver. E ousar mudar nossas vidas.

Um beijão!

Strider Hiryu disse...

Criou coragem??/ viu só como vc esta enfrentando os seu medos... é isso aí... continue assim...
beijoss

Danae disse...

Oi Cris! Nossa, te vi inteira nesse texto, vc se abriu realmente nele. Acontece da gente acabar se arrependendo por certas coisas em nossas vidas, mas faz parte do aprendizado.
Bjuss